PS4 THE HEAVY RAIN & BEYOND TWO SOULS COLLECTION

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Heavy Rain

Heavy Rain está entre os jogos mais elogiados e inovadores do PS3, e agora também com a versão remasterizada para o PS4. É uma ótima oportunidade para os jogadores reviverem as emoções que o título proporciona.

Heavy Rain não é um game de ação comum, é muito mais do que isso. Primeiro é importante lembrar que, caso você seja adepto da ação frenética e poucas cenas de animação, realmente esse jogo não foi feito para você.

O título possui em enredo envolvente que faz com que o jogo se pareça demais com um filme. A diferença é que você quem monta os rumos dessa história. Isso mesmo, o ponto alto de Heavy Rain são os rumos que a história pode tomar, fazendo com que dificilmente você jogue o game apenas uma vez. Isso sem contar na possibilidade de muitos finais diferentes.

A história gira em torno de quatro personagens que tem suas histórias interligadas no decorrer da trama, todas relacionadas aos crimes cometidos pelo Assassino do Origami. Cada personagem possui determinadas características e funções ao longo do enredo, são eles: Ethan Mars – arquiteto que vive um inferno astral com seu filho Shaun; Madison Page – Fotógrafa que precisa conviver com sua insônia; Scott Shelby – Detetive particular das vitimas do assassino e que sofre com sua asma crônica; Norman Jayden – Agente do FBI que conta com a ajuda de seu moderno e sofisticado óculos de investigação.

HEAVY RAIN (Foto: Divulgação)
A fotógrafa Madson (Foto: Divulgação)

Interação com os personagens

A principal aposta de Heavy Rain é relacionada à interação com os personagens e seus afazeres. Em boa parte do tempo, você precisará executar movimentos para funções simples como fazer a barba e colocar a janta, ou movimentos mais complexos como fugir da polícia e encarar uma briga. Para isso, é necessário realizar a seqüência exata de comandos, apresentados na tela, que variam de movimentos com o analógico, sincronia de botões e até mesmo sacudir o seu Dual Shock.

Essa fórmula faz com que você assista a todas as animações sem deixar a concentração de lado. Pode parecer que não, mas funciona perfeitamente, principalmente se levarmos em conta que o game oferece a possibilidade de ser jogado no idioma português de Portugal. Só é preciso se acostumar com expressões da “terrinha” como: raios, o pá.

HEAVY RAIN (Foto: Divulgação)
Ethan e seu filho Shaun (Foto: Divulgação)

Hora de se movimentar

Na hora em que é necessário controlar os personagens pelos cenários, é necessário ficar atento a enorme integração com os elementos. Por exemplo, logo no inicio do jogo é necessário se orientar as tarefas com Shaun e os horários de cada uma delas. Então é fundamental se organizar para fazer o menino curtir um pouco de televisão, lanchar, preparar o dever de casa, jantar e ir para a cama, todos nos horários determinados. Se eles não forem cumpridos, você não terá pela frente um ‘Game Over”, mas em certas ocasiões, deixar algumas tarefas de lado, pode influenciar o rumo da história.

Porém, é bom frisar que a movimentação dos personagens não é lá essas coisas. Devido às câmeras serem em grande parte fixas, por diversos momentos, você vai se sentir totalmente perdido na hora de se locomover em alguns cenários. E para piorar, o controle apresenta movimentos duros e pouco eficazes, fazendo com que você torça para voltarem às animações na tela.

HEAVY RAIN (Foto: Divulgação)
Detetive Scott Shelby (Foto: Divulgação)

 

Beyond Two Souls

A Quantic Dreams vem fazendo um trabalho mais ambicioso: transmitir emoções e fazer o jogador sentir o drama de perto. Esta é a principal ideia de Beyond: Two Souls. O novo game de David Cage traz algumas semelhanças com Heavy Rain, mas desta vez o autor quis passar uma carga dramática muito maior.

A base de Beyond: Two Souls está no sobrenatural, mas não se trata de um jogo focado apenas no terror. O roteiro gira em torno da personagem Jodie Holmes, interpretada por Ellen Page. Jodie é uma garota especial que possui poderes psíquicos, controlados por seu espírito-amigo, Aiden. A ideia é diferente de muita coisa, mas será que os jogadores vão embarcar na proposta?

Forçando o jogador a embarcar na história

David Cage não é um cara que trabalha na simplicidade. Em Heavy Rain, ele provou ser capaz de desenvolver uma história cativante com a utilização de múltiplos protagonistas, o que acabava requisitando um pouco de paciência para encaixar os pedaços da história.

Em Beyond, Cage resolveu focar em uma única personagem, a qual tem uma história muito complexa. Para complicar mais as coisas e forçar o jogador a se envolver na trama, Cage apelou para um estilo utilizado em filmes: a montagem da história fora de ordem cronológica.

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A princípio, o jogador fica um pouco confuso, mas depois de algumas horas de jogo, as cenas começam a ter uma conexão notável. Os capítulos do jogo são exibidos em uma linha do tempo que aparece durante os carregamentos das cenas.

Essa montagem da história pode não parecer fazer sentido, mas ela é perfeitamente justificável. Quando o jogador não entende algo, ele precisa prestar atenção em todos os detalhes, visto que a história será montada em sua cabeça aos poucos.

Além disso, como se trata de um game que mostra a personagem em diferentes fases da vida, o uso dessa tática foi importante para manter a apresentação de grandes emoções e pequenas explicações. Seria bem entediante se o roteiro mostrasse Jodie ainda criança vivendo eventos rápidos e sem grandes emoções, isso provavelmente não despertaria a curiosidade.

Um enredo absurdamente detalhado

Conforme já comentamos, a história trata da conexão entre Jodie (desde a infância até a fase adulta) e Aiden (a entidade que acompanhou a garota durante toda a vida). Em sua essência, o enredo é inédito em um jogo, o que já dá muitos pontos para Beyond. Todavia, o charme de todo o game está na construção desse relacionamento entre as personagens.

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Beyond: Two Souls não quer explicar todos os pormenores da relação entre as duas, portanto não espere grandes detalhes sobre como aconteceu a conexão entre Aiden e Jodie. A grande sacada aqui é mostrar como é difícil viver no papel de uma garota especial. São decisões ímpares e muito poderosas: você tem o poder de controlar pessoas, fazer o bem e o mal.

A princípio, Jodie tem muito medo de Aiden (os humanos têm medo do desconhecido), mas, com o passar dos anos e uma grande ajuda do doutor Nathan Dawkins — interpretado por Willem Dafoe —, a garota começa a entender melhor essa relação e a pegar afeição ao espírito-amigo.

Demora algum tempo para sacar que Aiden não é tão controlável e pacífica. Para o jogador, parece que Jodie está no comando, porém, na verdade, este espírito tem vontade própria e, segundo a própria Holmes, ele é como um leão na jaula — justamente porque é o jogador quem comanda a entidade, podendo ou não obedecer às vontades de Jodie.

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Após alguns capítulos, você começa a compreender o real poder de Aiden. Ao pegar confiança e estreitar a relação com Aiden, Jodie (o jogador) começa a perceber que tem poderes para fazer o bem e o mal. Aqui está uma das grandes sacadas do jogo: as escolhas.

Depois de algum tempo, você vai entender que o jogo não quer apenas mostrar uma história, mas quer que você viva as experiências, decida entre o bem e o mal e se envolva do começo ao fim. Cada capítulo da vida da garota tem alguma lição e isso é algo que faz este título ser único.

Colocando o jogador para refletir (spoilers abaixo)

Ficamos boquiabertos com a coragem de Cage em abraçar o mundo em um jogo. Beyond vai além de qualquer outro game, abordando uma série de assuntos importantes (e incomuns em jogos) que fazem o jogador refletir, pensar, se emocionar e se identificar (ou não) com diversas causas.

Quer um exemplo? Há uma cena em que Jodie vai viver com alguns moradores de rua. Nesse capítulo, o jogador viverá a situação de alguém que necessita de esmolas. Como de praxe, a escolha é sua: arranjar dinheiro ou passar fome. O roubo é algo comum em outros jogos, mas mostrar uma personagem na miséria é algo bem raro.

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Quer mais? Pense em toda a questão do bullying que você vê nos noticiários. Normalmente, achamos um absurdo esse tipo de atitude, porém é normal ignorarmos boa parte do que é apresentado na televisão, pois é uma situação sobre a qual não temos muito controle. Em Beyond, há situações em que você sentirá isso na pele (e acredite, não é nada legal).

Ao evoluir com Jodie, você começa a perceber que suas decisões vão influenciar na vida de outras pessoas (incluindo da própria personagem) e que tudo terá consequências. Aos poucos, você entende que deve controlar o ódio (ou não), ajudar as pessoas (ou não), ter parcimônia (ou não) e encarar as situações.
 
Por conta da jogabilidade simplificada, pode parece que o jogo é muito fácil, mas, acredite, não é simples tomar decisões. Além disso, vale notar que um simples descuido pode fazer você perder parte do jogo (ser capturado pela polícia impedirá que Jodie viva uma determinada parte da história).

Estamos em um filme?

É inevitável experimentar Beyond e não fazer algumas associações com filmes. No fundo, este título busca imitar um longa-metragem aproveitando os recursos exclusivos de um jogo. Há muito tempo para explorar os cenários e muitos possíveis caminhos. O resultado é que cada jogador vivenciará um filme diferente (com meios e fins distintos).

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Todo o jogo de câmeras é trabalhado como em um filme. Como estamos falando de uma equipe competente, todo o enquadramento é feito de maneira proposital e muito coerente com as cenas. Para quem está acostumado com jogos que colocam a câmera atrás do personagem, talvez Beyond possa ser um pouco estranho.

Beyond: Two Souls está longe de ser perfeito e certamente não coloca o jogador frente ao vale da estranheza. Os gráficos são belíssimos e deixam qualquer um boquiaberto, mas se você já experimentou The Last of Us, pode ser que Beyond não seja tão impressionante. De qualquer forma, são usos diferentes de recursos, portanto não adianta querer comparar.

É notável o capricho visual durante todas as cenas. Os rostos, as expressões, a modelagem de personagens, as roupas, os ambientes internos, grandes cenários, a iluminação, o fogo (talvez um dos mais impressionantes que vimos em um jogo do PS3) e quase todos os demais detalhes foram trabalhados com cautela.

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Como estamos tratando de um jogo-filme, era de se esperar que teríamos um trabalho excepcional com o áudio (e depois do que ouvimos em Heavy Rain, não esperávamos pouca coisa). A trilha sonora e a dublagem merecem atenção especial.

As músicas são envolventes e cumprem seu papel para emocionar o jogador das mais diversas formas. A canção principal é usada de forma inteligente e consegue transmitir muitas emoções. É claro que Hans Zimmer e Lorne Balfe não iriam nos decepcionar.

A dublagem está fantástica. Não poderíamos esperar menos com Willem Defoe e Ellen Page mostrando seus talentos de forma fenomenal! A modelagem dos dois está genial no jogo, e as falas combinam perfeitamente. Mesmo no caso de personagens irrelevantes, é possível notar que as vozes foram bem escolhidas.

Controles melhorados e novidades

Felizmente, a Quantic Dream trabalhou na jogabilidade para que o jogador não precise mais usar o R2 para andar. O restante dos controles que servem para guiar Jodie é bem funcional e continua no mesmo estilo de Heavy Rain. O uso dos sensores do DualShock 3 novamente é bem-vindo, pois serve para passar um pouco da tensão da tela para as mãos do jogador.

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Jogar com a Aiden é diferente, incomum e interessante. É como controlar uma câmera livremente e ter o poder de movimentar os objetos. A navegação é bem simples, sendo possível aprender os macetes em alguns minutos. O feedback do gamepad é importante neste caso, pois o jogador pode ter noção do quanto de poder está usando e quando deve parar.

O controle através do smartphone é uma adição bem-vinda e pode ser uma grande ideia para jogadores que buscam uma nova experiência (infelizmente, nem todos os recursos de jogabilidade foram transportados para os celulares).

No modo multiplayer, um jogador controla Jodie e outro a Aiden. Essa ideia é bem válida, pois duas pessoas podem moldar a história, ou seja, nada de alguém ficar apenas como espectador. É interessante que, dependendo do que cada um faça, o outro jogador pode encarar algumas complicações. Pode ser uma experiência bem diferente e divertida.

Estado: Novo
Marca: Sony Interactive Entertainment
Categoria: JOGOS

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