State of Decay 2 - Análise

Publicado em 17/05/2018 às 14h19

State of Decay 2 - Análise

O gênero dos zombies tornou-se, nos últimos anos, num dos mais saturados da indústria dos videogames e do entretenimento com múltiplas e variadas ofertas para os interessados em chacinar mortos-vivos. Desde Call of Duty a Yakuza, passando por The Last of Us, Dying Light, DayZ, ZombiU e outros tantos, a presença dos zombies nos videogames tornou-se comum e num tema recorrente para os mais diversos estúdios. No entanto, nenhuma destas propostas mostrava realmente o que era esta inserido no meio de um surto de mortos-vivos que olham para nós meramente como a sua próxima refeição. Foi por isso que, quando State of Decay foi lançado para o Xbox 360 em 2013, tornou-se numa surpresa para muitos. Para além de oferecer uma perspectiva refrescada de um jogo de zombies, vinha de um estúdio que para muitos era completamente desconhecido, a Undead Labs.

Oito anos mais tarde, e depois de uma versão remasterizada do primeiro para o Xbox One e PC, eis que temos em mãos a sequência de State of Decay. A premissa continua assente na sobrevivência, mas agora existem mais elementos e variáveis a ter em conta. Mais do que sobreviver, terão que gerir um grupo de sobreviventes juntamente com tudo o que isso implica: juntar recursos, averiguar as necessidades de cada um, eliminar os perigos próximos e evoluir as infraestruturas para que as condições de vida continuem a melhorar. No fundo, State of Decay 2 tem tanto de sobrevivência como de gestão, podendo até ser comparado, de certa forma, a um The Sims inserido num contexto de zombies. As semelhanças com o primeiro são inevitáveis, numas coisas mais do que outras, mas não restam dúvidas que a Undead Labs expandiu verdadeiramente o conceito no novo jogo.

Escolhidas as duas personagens iniciais, passamos por um pequeno tutorial que nos ensina com brevidade os controles e as mecânicas básicas. Só a seguir é que o jogo realmente começa, quando temos que estabelecer a nossa base de operações numa casa. O jogo continua a guiar nos de mão dada até um certo ponto, mas depois, dá-nos liberdade total para explorar o mapa, encontrar recursos e sobreviventes, e expandir a base de operações. Se alguma vez vimos a série The Walking Dead, já temos uma ideia do que esperar. Teremos que liderar e gerir um grupo de sobreviventes, ficando num sítio seguro e atribuindo tarefas. Também teremos que encontrar recursos importantes como alimento, materiais de construção, combustível para os veículos e medicamentos, caso contrário, vais gerar instabilidade entre a comunidade, o que ultimamente conduz à depressão e discussões.

Embora inicialmente tenha que escolher uma dupla de personagens, assim que estabelecer a base e convencer mais sobreviventes a juntar-se a ti, podemos trocar livremente entre personagens, o que tem vantagens e desvantagens. Existem personagens com habilidades diferentes e com diferentes níveis de evolução em cada parâmetro, e quanto mais realizarmos uma tarefa com uma personagem, mais evoluído ficará nessa habilidade. Todas as personagens compartilham parâmetros como resistência física e combate, mas há capacidades únicas como horticultura, essencial para plantar vegetais e colher alimento, medicina, para curar os outros sobreviventes, entre outras. Rapidamente vai perceber que, se quer evoluir, vamos precisar de sobreviventes que tenham estas capacidades únicas.

Apesar de uma premissa simples e fácil de perceber, State of Decay 2 é um jogo que fica progressivamente complexo e que te permite investir dezenas de horas de assim quiser. Uma das vantagens, e que certamente facilita mas também prolonga a experiência, é a possibilidade de jogar em modo cooperativo com até quatro pessoas. No modo cooperativo pode ajudar um amigo a completar as suas tarefas ou a simplesmente vasculhar os pontos de interesse para recursos. Ao fazer isto vai receber pontos de influência, indispensáveis para se instalar em novos locais do mapa, e pode guardar todos os itens que encontrar. Existe a limitação de não poder explorar livremente o mapa, isto é, nunca vai poder afastar muito do jogador escolhido como o host da partida, mas tirando isto, não existem mais diferenças entre o modo a solo e o modo cooperativo.

Há alguma repetitividade inerente à estrutura de State of Decay 2. Como um jogo de sobrevivência, teremos que aventurar todos os dias para novos locais em busca de sacos com recursos para responder às necessidades dos sobreviventes. Em primeiro lugar serão os locais mais próximos da base a serem vasculhados, mas eventualmente teremos que aventurar para sítios mais longínquos. É neste ponto que State of Decay 2 consegue escapar à rotina, introduzindo regularmente novos tipos de inimigos e novos desafios. À medida que vai evoluindo cada personagem e se familiarizando com o jogo e os seus recantos, os zombies normais deixam de ser uma ameaça. Todavia, não tarda a conhecer mutações ameaçadores. Existem zombies grandes cujo um carro nem consegue atropelar, zombies que gritam imenso e chamam a atenção dos outros, zombies que te infectam com um vírus mortífero e até há aqueles que explodem numa bomba de gás tóxica.

"State of Decay 2 é um jogo que fica progressivamente complexo e que te permite investir dezenas de horas se assim quiser"

Se não tiver cuidado, pode até perder sobreviventes, Inicialmente terá que ter muito azar (ou simplesmente não querer saber) para perder um dos sobreviventes, mas mais adiante, quando tiver que limpar edifícios repletos de zombies infestados, poderá acontecer. Depois de perder um sobrevivente não há como voltar atrás. State of Decay 2 não tem gravação manual, gravando regularmente. Se perder um sobrevivente, o jogo grava automaticamente e não terá forma de regressar à gravação anterior. Ao jogar em modo cooperativo, o risco é muito menor, mas por outro lado, o fator de sobrevivência diminui. No entanto, se quiser uma experiência genuinamente purista de sobrevivência, é perfeitamente possível jogar e progredir sozinho. Por um lado, jogar com companhia é inevitavelmente mais divertido, mas jogar sozinho é mais desafiante e entusiasmante.

O jogo não segue propriamente uma estrutura linear, mas existem sempre novos objetivos para cumprir. Estes objetivos são uma das fontes de "Influência", um recurso que serve para se instalar em novos locais do mapa. Isto é de extrema importância, principalmente se quiser atenuar a procura por recursos. A influência serve para capturar pontos importantes do mapa que se fornecem recursos diariamente, diminuindo a necessidade de estar constantemente a procurar por mantimentos em novos locais do mapa. Eventualmente até poder instalar-se numa segunda base, aumentando o raio e a escala das suas operações. Tal como já deve ter percebido, State of Decay 2 tem uma forte faceta de gestão, por vezes até se sobrepondo à ameaça dos zombies.

Se esta à procura de uma história não é isso que vai encontrar aqui. State of Decay 2 dá um contexto, explicando que terá que sobreviver numa área em que a civilização desapareceu por completo e até o exército já evacuou daquele sítio, mas não temos uma narrativa convencional. Cada sobrevivente terá missões próprios que terá de cumprir, mas mesmo nestas casos, a dimensão narrativa é praticamente inexistente. Esta é a única desilusão em State of Decay 2. A Undead Labs fez um excelente trabalho em expandir a fórmula apelativa e refrescante do primeiro jogo, no entanto, parece-nos que existia espaço para implementar uma história mais relevante e presente, principalmente sabendo que este contexto de sobrevivência podia gerar momentos dramáticos e marcantes.

"A Undead Labs fez um excelente trabalho em expandir a fórmula apelativa e refrescante do primeiro jogo"

No total, State of Decay 2 tem três mapas que podemos escolher para iniciar a tua comunidade. Cada mapa tem um tamanho ideal, não sendo demasiado grande nem demasiado pequeno. Os mapas têm muitos locais para explorar e alguns pontos altos em que pode conhecer e assinalar permanentemente no mapa os montes de interesse. O fato de que provavelmente andaremos muito a pé ajuda a tornar os mapas maiores. De carro conseguimos percorrer o mapa de ponta a ponta numa questão de minutos, mas como é preciso levar em conta que os veículos gastam combustível, vai acabar a andar mais a pé (e a correr) do que propriamente em veículos. Por um lado é bom, visto que todos os teus sobreviventes rapidamente vão ficar peritos em correr e em resistência, sendo capazes de fugir de uma ameaça caso seja necessário.

Não é um jogo impressionante de uma perspectiva técnica, alias, as animações ainda nos fazem lembrar o primeiro jogo e podiam estar bem melhores. Também existem erros como problemas de colisão e texturas que entram a dentro por outras. Quanto a quedas de framerate, jogamos a versão para Windows 10 e apenas reparamos num soluço inicial, sempre que o jogo estava a criar uma sessão online. Dito isto, e apesar de um acordo entre a Undead Labs e a Microsoft, há que levar em conta que State of Decay 2 não é propriamente um jogo AAA, pelo alguns dos compromissos são compreensíveis, até porque o seu preço é menor do que habitual (a edição normal custa 29.99 euros).

Apesar de pecar pela dimensão narrativa, State of Decay 2 é um jogo sem igual e que oferece uma experiência fantástica para quem gosta de zombies. O jogo triunfa ao colocar-te a gerir uma comunidade de sobreviventes no meio de um Apocalipse de zombies. Esta sequência aposta muito mais na gestão e na simulação e, por causa disto, não é apenas mais um jogo em que anda a matar zombies apenas por diversão. É sobrevivência acima de tudo, e apesar de alguma repetitividade, ficamos sempre com vontade de voltar a jogar e de continuar a expandir a nossa comunidade. O facto de que podes escolher jogar em modo cooperativo torna-o ainda mais aliciante para aqueles que estão à procura de uma nova proposta para jogar em grupo.

 

Fonte: Eurogamer

Tags: Microsoft, state of decay 2, Undead Labs, Zumbi

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